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textos2Quando ouvimos a palavra Prāna, geralmente a associamos a energia vital, respiração etc.. Porém o prāna possui aspectos muito mais profundos do que apenas estes, o prāna é a essência que possibilita e controla toda criação, seja ela animada ou inanimada!.
No Praśnopaniṣad II:13 está escrito:Tudo que existe neste mundo, assim como o que existe no Céu, esta sob o controle do prāna. Proteja-nos ó prāna assim como uma mãe protege seu filho e conceda-nos esplendor e sabedoria.


No mesmo texto III:1 Kauśalyā pergunta ao venerável Pippalāda; Senhor, de onde nasce o prāna?, e para mencionar seu aspecto cósmico ele responde; o prāna nasce de Brahman, a realidade suprema e absoluta.
A palavra prāna é construída a partir de duas silabas “prā” e “ān”,
Ān significa movimento e “prā” é um prefixo que denota “constante”, portanto prāna significa aquilo que se encontra em constante movimento.
O prāna possui tanto um aspecto macrocósmico quanto microcósmico.
Em seu aspecto macrocósmico ele é denominado Mahā Prāna ou Consciência e está relacionado à dimensão transcendental.
Quando o Mahā Prāna é combinado aos atributos de Prakṛti ou a natureza objetiva, ele é conhecido simplesmente como prāna e este é seu aspecto microcósmico.
Este prāna como a própria palavra diz representa o principio ativo e positivo dentro da criação e Mahā Prāna o principio passivo e negativo.
A filosofia Sāmkhya denomina o Mahā Prāna como Puruṣa que literalmente que dizer, “aquele que dorme na cidade” e Prakṛti literalmente “atividade”, por esta razão é dito que Puruṣa pode ver mas não pode andar e Prakṛti pode andar mais não pode ver, a união destes dois princípios, cada um deles emprestando suas características ao outro é a causa e a origem de toda a criação!


A combinação entre Mahā Prāna e Prakṛti ocorre na dimensão causal e dá origem a Idā e Pingalā, duas das principais nādīs ou canais de energia que interpenetram os chakras ao longo da coluna vertebral, desde o mūlādhāra até o ājñā.
Pingalā é de natureza quente e esta relacionado com o sistema nervoso simpático e Idā é de natureza fria e está relacionado ao sistema nervoso parassimpático, Idā e Pingalā pertencem à dimensão sutil.
Idā é o condutor de Mānas Shakti, a energia mental ou lunar e esta força governa a dimensão mental.
Pingalā é o condutor de Prāna Shakti, a energia vital ou solar e esta força governa a dimensão física.
Na dimensão física o Mahā Prāna dá origem aos pāncha vāyus, são eles: prāna vāyu, apāna vāyu, samāna vāyu, udāna vāyu e vyāna vāyu.
Cada um destes cinco prānas possui alguns aspectos mais densos ou fisiológicos e outros aspectos mais sutis.
A pratica dos prānāyāmas esta intimamente relacionada ao domínio dos vāyus em seus aspectos mais sutis.
Algumas pessoas dividem a palavra prānāyāma em prāna e yāma definindo assim a palavra como: controle do prāna, porém na realidade a palavra é composta de prāna e āyāma.


A palavra āyāma significa expandir, estender, prolongar etc. portanto prānāyāma é a técnica pela qual a quantidade de prana é expandida dentro do corpo do yogi através de uma prolongada inspiração, expiração e retenção.
Uma vez que Mahā Prāna e prāna são dois aspectos de uma mesma energia, o aumento do prāna produz no yogi um aumento no seu estado de consciência uma vez que o prāna empresta sua natureza ativa à consciência que é de natureza passiva.
Patañjali nos Yoga Sūtras se refere ao prānāyāma como o ato de regular o fluxo da respiração que entra, da respiração que sai com a retenção.
Ao lermos este sutra é fácil confundirmos o prānāyāma com um simples exercício respiratório, porém como se trata de um sutra ou seja, um conhecimento extremamente condensado é obvio que existe um sentido muito mais profundo do que o aparente!
O segredo dos prānāyāmas é conhecido pelos yogis como “prāna nigrāha” ou a inversão dos prānas, normalmente o prāna é uma energia ascendente e o apāna uma energia descendente, no nosso estado natural um vāyu é repelido pelo outro mantendo assim a continuidade do nosso processo respiratório.


Porém na prática dos prānāyāmas estas energias são invertidas, prāna se torna descendente enquanto apāna se torna ascendente.
Com a ajuda de samāna vāyu prāna e apāna se unem no manipūra chakra e isto afeta diretamente udāna e vyāna tornando assim os cinco vāyus imóveis.

Por isso é dito no Yoga Cūdāmani Upaniṣad: Aquele que conhece o movimento de prāna e apāna é um Yogi no verdadeiro sentido da palavra!.
A imobilidade dos vāyus transforma a mente centrifuga em uma mente centrípeta, por isso diz Swātmārāma no Haṭha Yoga Pradīpīka II:2 “enquanto o prāna se movimenta a mente permanece instável, inquieta, mas quando o prāna se torna imóvel a mente se torna imóvel e que esta imobilidade da mente é conquistada através da prática do prānāyāma”. Uma mente centrípeta gerada pela pratica correta do prānāyāma possibilita a pratica dos outros “angas” ou partes do Aṣtānga Yoga de Patañjali: Pratyāhāra, Dhāranā, Dhyāna culminando no objetivo real do yoga, o Samādhi.

 

A importância da respiração


Quando nascemos a primeira coisa que fazemos é uma inspiração e, quando deixamos este corpo a ultima coisa é uma expiração, portanto o processo respiratório é de fundamental importância, pois sem ele não estaríamos vivos.

Respiramos em média 21,600 vezes por dia e é de se espantar que a maioria delas ocorra de forma inconsciente!

Como eu sempre brinco, a maioria das pessoas só se lembram de que respiram quando sentem falta de ar.

Devemos sempre lembrar que respirar conscientemente nos conecta com o momento presente, acalma nossa mente e reduz a ansiedade entre muitos outros benefícios.

Muitos textos do yoga abordam as práticas dos prāṇāyāmas, exercícios que se utilizam da respiração para proporcionar o aumento da capacidade de armazenamento do prāna e que não devem ser confundidos com simples exercícios respiratórios.

Mas um texto em especifico o Śiva Swarodaya, aborda diretamente a ciência da respiração e por tal razão ele é conhecido como, “A ciência tântrica da respiração cerebral”.

O yoga ensinado no Śiva Swarodaya é denominado de Swara Yoga e esta ciência foi transmitida a Pārvatī pelo Senhor Śiva, o texto ensina que a função de nossas narinas se alternam a cada uma hora e vinte minutos em média e que existem atividades que se tornam mais auspiciosas se iniciadas durante a atividade da narina operante.

Quando a narina direita esta ativa, o hemisfério esquerdo do cérebro esta operante e vise versa.

O texto ensina que quando a respiração flui por idā nādī, ou seja, pela narina esquerda determinadas ações tais como: praticar mantra, recitação de textos sagrados, administração de medicamentos, pois o corpo esta mais alcalino, atividades tranquilas em geral são auspiciosas e, quando pingalā nādī ou a narina direita esta ativa, exercício físico, realização de trabalhos precisos e difíceis, ingerir alimentos pois o corpo esta mais acido, atividades dinâmicas em geral são mais auspiciosas.

Quando suṣumnā nādī esta ativo, isto é a respiração está fluindo por ambas as narinas, somente atividades devocionais e adoração devem ser praticadas.  

Idā é de natureza fria e está relacionado ao sistema nervoso parassimpático, pingalā é de natureza quente e esta relacionado com o sistema nervoso simpático, idā é o condutor de mānas śakti, energia mental ou lunar e esta força governa a dimensão mental, pingalā é o condutor de prāna śakti, a energia vital ou solar e esta força governa a dimensão física.

O suṣumnā esta relacionado ao sistema nervoso central e por ele flui a kundalinī śakti, energia que governa a dimensão espiritual.

Para nos beneficiarmos do swara yoga devemos sempre observar o funcionamento das narinas, ao acordarmos devemos observar qual narina esta ativa e então colocar primeiro o pé desta narina no chão, isto harmonizara nosso universo interno com o universo externo criando assim mais paz, harmonia, saúde física e mental.

Antes do comermos devemos observar se a narina direita esta ativa, pois isso acelera e melhora a digestão, fator importante para aumentar a vitalidade e a saúde.

Caso ela não esteja aberta basta deitarmos sobre o lado esquerdo do corpo ou fecharmos a mão direita em punho e pressiona-la na axila esquerda por alguns instantes até que a narina abra, as ações opostas abrem a narina esquerda.

Adequando o funcionamento de nossas narinas às nossas atividades estaremos poupando a energia do corpo e da mente e como consequência adquirindo mais saúde, paz, harmonia e serenidade.


 

“A importância da consciência”.

 

 

 

Para o Yoga é imprescindível desenvolvermos ao máximo a nossa consciência, pois esta amplia o nosso entendimento sobre os fatos que se apresentam no nosso cotidiano nos possibilitando viver de forma mais apropriada e nos adequando com equanimidade a cada uma das situações que a vida nos presenteia.

 

Entre muitas das ferramentas que o yoga possui para atingirmos este estado de consciência, uma delas é denominada “Swādhyāya”, o estudo de si mesmo e das escrituras, ambos se complementam nos dando a certeza de que estamos indo no caminho correto.

 

Embora existam outros, dois textos de fundamental importância no desenvolvimento desta consciência, sem duvida alguma são o Bhagavad Gītā e o Yoga Sūtra de Patañjali.

 

Assim como Kṛṣṇa, Patañjali nos aponta claramente a diferença entre nossa verdadeira natureza e nossa situação transitória, quando no terceiro sutra do primeiro capitulo diz: “Tadā draṣṭuh svarūpe’vasthānam”, ou seja, “Então o observador repousa em sua própria natureza”, deixando claro que existem duas realidades diferentes; uma é a que nós verdadeiramente somos e, esta é eterna, e a outra é a que nós estamos e, esta é transitória.

 

A ausência desta percepção faz com que nosso ego que deveriam ser utilizados apenas para as atividades no mundo externo e pratico, servido como ferramenta para que possamos aperfeiçoar cada vez mais quem nós estamos, seja interiorizado deixando de ser um ponto de referencia e passando assim a ser ponto de autoafirmação.

 

Isto por sua vez faz surgir todos os medos, apegos, inseguranças e agitações mentais que impossibilitam cada vez mais percebermos em realidade quem nós somos.

 

Neste estado de total confusão nós nos esquecemos de que somos quem está olhando para o espelho e não a imagem refletida nele, ou ainda que nos comportemos como uma pessoa que se esquece de que é o corpo usando uma roupa e sofre quando esta se danifica, ou nas palavras de Patañjali, “Viṛtti sārūpyam itaratra”, ou seja, “existe a identificação do observador com o objeto observado”.

 

Quando o Yogī através da sua pratica realiza a verdade, ele percebe claramente a diferença entre quem ele é e quem ele está e por isto todos os acontecimentos do cotidiano são vistos com outros olhos, por esta razão Kṛṣṇa no Bhagavad Gītā. 2.56 diz: “Aquele cuja mente não se abala diante das aflições, nem se exalta diante de situações favoráveis, livre de apegos, medo e ira, é considerado um sábio, pois tem uma mente estável”.

 

Esta estabilidade mental proporciona a clareza necessária para percebermos quem nós somos e quem temporariamente estamos e, que na vida tudo é como é e não como nós gostaríamos que fosse e, mais ainda, nos possibilita entender quando as coisas podem ser modificadas ou quando necessitam apenas serem compreendidas!

 

 


O silencio como sadhana

 

Diz o ditado que a palavra vale prata, mas o silêncio vale ouro.

No universo Yogī o silêncio é conhecido como “Mauna” e o Senhor Kṛṣṇa no Bhagavad Gītā 10.38 diz: Das coisas secretas Eu sou o silêncio e em 17.16 ele se refere a ele como sendo uma das austeridades da mente.

Embora mauna seja geralmente entendido como voto de silencio, existem outros aspectos importantes desta pratica.

O primeiro é Vak-mauna ou o voto de silêncio propriamente dito que conforme o Chhandogya Upaniṣad é citado como uma grande austeridade, o segundo é Kārana-mauna ou a subjugação dos órgãos dos sentidos que é o mesmo que Patañjali no Yoga Sutra 2.54 denomina como pratyāhāra e o terceiro é Kaṣta-mauna a cessação das atividades do corpo físico que no sutra 2.46 é descrito como Sthira sukham āsana.

Nestes três tipos de mauna as atividades da mente ainda não estão totalmente recolhidas, porém elas são a base para se atingir o que Vasiṣṭha ao explicar o que é mauna ao Senhor Rāma denomina Suṣupti-mauna, ou seja, o silêncio a quietude e o recolhimento das atividades da mente, o mesmo que Patañjali descreve como Citta viṛtt nirodha.

A natureza centrifuga da mente é o que nos faz estarmos sempre conectados com a agitação das atividades externas e o mauna é uma das ferramentas que o Yoga nos proporciona para transformarmos esta natureza centrifuga em centrípeta.

Segundo Vasiṣṭha, o verdadeiro mauna só é atingido quando a mente do Yogī atinge o recolhimento de suas atividades.

Para que possamos atingir este silêncio é necessário entendermos que o silêncio não é feito, não se cultiva o silencio ele já existe, podemos fazer barulho, mas não silêncio, a ausência de barulho é o silêncio, por isso cultivar o silêncio pode ser apenas mais um tipo de ruído silencioso, pois ainda existe Citta viṛtti.

Certa vez em um dos aniversários do Ramāmani Iyengar Memorial Yoga Institute, Praśant Iyengar fez uma comparação entre a diferença do silêncio percebido em um templo e o silêncio percebido em um crematório, ambos podem ser encarados como silêncio porém eles não passam de um silêncio criado pelos nossos sentimentos e nada têm a ver com o verdadeiro silêncio que nasce do recolhimento das atividades da mante.

A desconstrução de todo antagonismo é o inicio do silêncio que emerge do recolhimento das atividades da mente e por isto Vasiṣṭha o compara a Mokṣa.

Diz Vasiṣṭha: a firmeza na percepção da não dualidade, o domínio do prāna e o recolhimento das atividades da mente são os três caminhos para se atingir a libertação.

Por isso volte-se para si mesmo, abandone as dualidades, acalme sua respiração e descubra que a paz que você tanto procura já existe em você, ela é o silêncio!


Economia sustentável 


 

Na vida de todo ser humano existem três compartimentos, são eles: O compartimento físico, compreendendo tudo que esta relacionada com o preenchimento das necessidades físicas do nosso dia a dia, o compartimento de tudo que é mental e emocional e o espiritual.

 

O grande problema é que eles geralmente estão um tanto quanto bagunçados.

 

Quando temos um problema de ordem física corremos para o lado espiritual, quando é de ordem mental ou emocional corremos para o lado físico tentando preencher o vazio interno com coisas externas e assim por diante.

 

Como das três áreas a mental e emocional é a mais oscilante, esta é a que passamos a maior parte do tempo tentando resolve-la.

 

A insatisfação gerada pelos nossos desejos não realizados ou contrariados nos leva a uma busca insaciável para preencher este vazio interno com coisas externas.  

 

Este comportamento gera uma perda da percepção do que é realmente necessário ou desnecessário para nossa vida, tal comportamento leva ao que veio a ser conhecido como consumo conspícuo ou ostentatório, pois quem o pratica acredita mais no ter para ser do que o ser para ter.

 

Isto leva a uma total inversão de valores aonde a busca pela felicidade que é um estado interno passa ser desesperadamente procurada no mundo externo, isso faz com que quanto mais a procuramos fora, mais nos afastamos dela já que ela é parte da nossa natureza interior.

 

Para evitar este equivoco Patañjali sugere a pratica de Aparigraha, ou o não cultivar da ganancia, o não acumular desnecessariamente como uma das formas de não cairmos na armadilha de buscar fora o que já existe dentro.

 

Conhecendo bem a natureza centrifuga da mente humana, sabendo que os sentidos estão constantemente nos arrastando para fora de nós mesmos, aconselhou a pratica deste Yama como um dos caminhos para que o Yogī não se enredasse em excessos de coisas desnecessárias em sua vida e desta forma poder cultivasse uma mente serena e tranquila.

 

Certa vez um Yogī que ia meditar todos os dias a beira do Ganges e por isso se banhava como de costume antes da prática e deixava sua tanga para secar enquanto meditava, teve a mesma roubada por um rato.

 

Pensou então, como resolver este problema, chegando então à conclusão que se ele arrumasse um gato o rato não mais se aproximaria da sua tanga.

 

No dia seguinte lá estava ele meditando com o gato tomando conta da sua tanga, mas em certo momento o gato começou a ficar com fome e começou a miar interrompendo a prática do Yogī, pensou ele, como vou resolver este problema, já sei, vou arrumar uma vaca para tirar o leite e traze-lo comigo assim o gato terá o que comer e não mais me incomodará.

 

Porém não bastava tirar o leite da vaca, alguém deveria cuidar dela e para isso arrumou um mulher para cumprir com este papel.

 

Porém como passava a maior parte do tempo meditando começou então a ouvir as reclamações de sua mulher por toda a sua ausência e isto lhe fez sentir-se mal roubando sua paz interior.

 

Depois de arrumar tantas coisas para solucionar o seu problema, percebeu que elas mais atrapalhavam do que o ajudava na sua meditação, ele chegou a uma simples conclusão, que era melhor ter ficado sem a tanga!

 

O grande problema nesta busca externa de satisfação e resolução de situações é que muitas vezes para isto quem sofre é o planeta, pois para suprir todas estaspseudo-necessidadesque criamos é necessáriouma desmedida exploração de recursos naturais para alimentar a produção de bens supérfluos.

 

Se quisermos viver e deixar um planeta melhor para as gerações futuras nós deveríamosrefletir e pensar melhor sobre o que realmente é necessário e o que é desnecessário em nossas vidas.